quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O TEMPO DE TARKOVSKI E A POESIA DE PARADJANOV




De 20 a 29 de agosto de 2010

Cinco filmes de Andrei Tarkovski e quatro de Sergei Paradjanov serão exibidos no Instituto Moreira Salles de 20 a 29 de agosto. O título do programa é um verso de Boris Pasternak muitas vezes citado por Tarkovksi como a perfeita definição do artista: Refém da eternidade, escravo do tempo.

De Tarkovski, cineasta que definia o cinema como a arte de esculpir o tempo, cinco filmes, exibidos em cópias novas em 35mm: Andrei Roublev (1966), baseado na história do mais importante pintor russo do século XV; Solaris (1972), adaptação do romance do polonês Stanislaw Lem; Stalker (1979), que enfrentou grandes dificuldades diante censura da URSS, e seus dois últimos filmes, realizados na Itália, Nostalgia (1983), e na Suécia,  O sacrifício (1986).

Em todos esses títulos (como nos outros três que compõem a filmografia do diretor), há uma narrativa de longos planos-sequência preocupados em “registrar o tempo em suas formas e manifestações reais”. Para o diretor, “a força do cinema está na relação necessária e inseparável do filme com a matéria da realidade que nos cerca“. E o que faz do cinema uma arte realista não é sua capacidade de reproduzir a aparência de pessoas e coisas, mas “a sua capacidade de fotografar o tempo”.

Em todos esses títulos, também, “personagens que parecem crianças com motivações de adultos, capazes de sacrificar-se em nome de um ideal nobre, de assumir a responsabilidade de outros”. O astronauta de Solaris, o guia de Stalker, o solitário que se queima em Nostalgia e aquele outro que queima a própria casas em O sacrifício, pertencem à mesma família de Andrei Roublev, “que olha o mundo com olhos infantis, indefesos”.

Ao lado dos personagens quase crianças de Tarkovski, quatro imagens poéticas de um diretor que não queria ser chamado de cineasta profissional: “Sou um amador, um amante da arte e um diretor de filmes”, assim se apresentava Sergei Paradjanov, realizador de Os cavalos de fogo(1964), A cor da romã (1968), A lenda da fortaleza Suram (1984) e O trovador Kerib (1988).

Preso logo após o lançamento de A cor do romã, passou a maior parte da década de 1970 no cárcere, acusado de homossexualismo, e só voltou a filmar na década de 1980. Seus filmes, que em lugar de reproduzir a aparência de pessoas e coisas tratam de reinventar o mundo poeticamente, eram grandemente admirados por Tarkovski que se dizia em dívida com a visão particular de Paradjanov e com sua capacidade se expressar numa linguagem poética absolutamente livre.


MOSTRA ANDREI TARKOVSKI | SERGEI PARADJANOV

sexta-feira, dia 20
14h: A cor da romã (Sayat Nova, Zwet granata), de Sergei Paradjanov (URSS, 1968. 79’)
16h30: Stalker (Stalker), de Andrei Tarkovski (URSS, 1979. 163’)
20h: A lenda da fortaleza Suram (Ambavi Suramis Tsikhitsa), de Sergei Paradjanov (URSS, 1984.88’)

sábado, dia 21
14h: O sacrifício (Offret), de Andrei Tarkovski (Suécia, 1986. 149’)
16h45: Andrei Roublev (Andrei Roublev), de Andrei Tarkovski (URSS, 1966. 186’)
20h: Nostalgia (Nostalghia), de Andrei Tarkovski (Itália, Suécia, 1983. 125’)

domingo, dia 22
14h: Solaris (Soliaris), de Andrei Tarkovski (URSS, 1972. 165’)
17h: Cavalos de fogo (Tini Zabutykh Predkiv), de Sergei Paradjanov (URSS, 1964. 97’)
19h00: Stalker (Stalker), de Andrei Tarkovski (URSS, 1979. 163’)

quarta-feira, dia 25
16h30: Andrei Roublev (Andrei Roublev), de Andrei Tarkovski (URSS, 1966. 186’)
20h: O trovador Kerib (Ashki Kerib), de Sergei Paradkjanov (URSS, 1988.73’)

quinta-feira, dia 26
16h30: Nostalgia (Nostalghia), de Andrei Tarkovski (Itália, Suécia, 1983. 125’)
19h: Andrei Roublev (Andrei Roublev)de Andrei Tarkovski (URSS, 1966. 186’)

sexta-feira, dia 27
14h: A lenda da fortaleza Suram (Ambavi Suramis Tsikhitsa), de Sergei Paradjanov (URSS, 1984.88’)
16h: Solaris (Soliaris), de Andrei Tarkovski (URSS, 1972. 165’)
20h: A cor da romã (Sayat Nova), de Sergei Paradjanov (URSS, 1968. 79’)

sábado, dia 28
14h: O trovador Kerib (Ashki Kerib), de Sergei Paradkjanov (URSS, 1988. 73’)
16h: Cavalos de fogo (Tini Zabutykh Predkiv), de Sergei Paradjanov (URSS, 1964. 97’)
19h: Stalker (Stalker), de Andrei Tarkovski (URSS, 1979. 163’)

domingo, dia 29
14h: Nostalgia (Nostalghia), de Andrei Tarkovski (Itália, Suécia,1983. 125’)
16h30: O sacrifício (Offret), de Andrei Tarkovski (Suécia, 1986. 149’)
19h30: Solaris (Soliaris), de Andrei Tarkovski (URSS, 1972. 165’)

SINOPSES

Stalker (Stalker), de Andrei Tarkovski (URSS, 1979. 163’, 14 anos)
Um acidente desconhecido aniquila boa parte da vida na Terra e dá origem a um local estranho e proibido chamado de Zona. Os stalkers são aqueles que conhecem a Zona e seus perigos.


Solaris (Soliaris), de Andrei Tarkovski (URSS, 1972. 165’, 14 anos)
Baseado em romance homônimo de Stanislaw Lem, o filme narra a história de um psicólogo encarregado de realizar uma investigação sobre os mistérios que interferem em uma missão em torno do planeta Solaris.


Nostalgia (Nostalghia), de Andrei Tarkovski (Itália/Suécia,1983. 125’, 14 anos)
O poeta russo Gorchakov vai à Itália pesquisar o exílio de um músico russo que se suicidou. Assim como o músico, Gochakov também é tomado pela nostalgia de sua terra natal.


O Sacrifício (Offret), de Andrei Tarkovski (Suécia/Inglaterra/França, 1986, 14 anos)
Um jornalista compartilha com o filho sua preocupação com a falta de espiritualidade da humanidade. Ironicamente, na noite de seu aniversário, eclode a Terceira Guerra Mundial.




Andrei Roublev (Andrei Roublev), Andrei Tarkovski (URSS, 1966. 186’, 14 anos)
Orientado pelo mestre russo Teófanes, Andrei Roublev é um pintor de ícones da Rússia medieval que é encarregado de pintar as paredes da Catedral Ortodoxa da Anunciação, no Kremlin. O filme foi censurado por cinco anos na União Soviética.


A cor da romã (Sayat Nova), de Sergei Paradjanov (URSS, 1968. 79’, 14 anos)
Épico biografico sobre o poeta armênio do século XVIII conhecido como Sayat Nova em um provocador painel artístico e religioso da Idade Média.


Os cavalos de fogo (Tini zabutykh predkiv), de Sergei Parajanov (URSS, 1964. 97’, 14 anos)
A história de amor trágico entre Ivan e Mirichka em uma aldeia ucraniana (destaquem-se elementos como o repertório folclórico da região de Cárpatos).


O trovador Kerib (Ashki Kerib), de Sergei Parajanov (URSS, 1988.73’, 14 anos)
Um homem impedido de se casar com a mulher que ama faz uma grande viagem a fim de juntar riquezas para o casamento. Fábula baseada no poema do poeta russo Mikhail Lermontov.


A lenda da Fortaleza Suram (Ambavi suramis tsikhitsa), de Sergei Parajanov (URSS, 1984.88’, 14 anos)
A construção de uma fortaleza fracassa sucessivas vezes até que a solução aparece: emparedar o homem mais bonito da cidade na construção. Baseado em uma lenda georgiana.




Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro-RJ
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea

Capacidade da sala: 113 lugares
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com

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