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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A CENA EM AÇÃO

Quero compartilhar uma tradução feita por mim de um trecho do livro "Writing for Emotional Impacts" de Karl Iglesias. 






Mas antes de ir para o texto em si, algumas observações. Eu procurei a cena em questão na internet, mas não a encontrei completa. Por isso postei a mesma no momento do texto em que ele pedirá que você a assista.Porém, se você realmente se interessa por roteiro e dramaturgia sugiro que tenha este filme sempre à mão, pois ele é magnífico! Caso te interesse, você pode adquiri-lo através deste LINK

Depois de discutir inúmeras técnicas e ferramentas para a escrita, Karl Iglesias utiliza seus recursos para a análise da cena.



"A Cena em Ação"

"Vamos ver uma cena clássica de “O Silêncio dos Inocentes”, filme muito aclamado pela crítica e um dos grandes favoritos do público, adaptado do romance de Thomas Harris por Ted Tally. A cena em questão é a qual Clarice Starling confronta Hannibal Lecter pela quarta e última vez, desesperada por uma última pista que a ajude a pegar Buffalo Bill. Escolhi esta cena porque é um das mais fascinantes, hipnotizantes, e mais intensas que já li e vi. Após a análise, creio que entenderá o por quê. Ela também contém muitas das técnicas apresentadas neste capítulo. Uma vez que o roteiro é um pouco diferente do filme, eu vou usar uma transcrição em vez das páginas do roteiro. Sugiro que você veja a cena primeiro e sinta seu efeito emocional, e depois, leia a cena algumas vezes para perceber as técnicas em ação."






"No filme, a cena tem sete minutos de duração, mas por causa do desespero de Clarice e da tensão do contexto, parece ter apenas sete segundos. Começando pelos elementos básicos de uma cena dramática, sabemos que a cena se passa à noite, no quinto andar da Sociedade Histórica County Shelby, em Memphis, que foi fechada para acomodar uma cela especial para Lecter. Como em seus encontros anteriores, esta cena é de Lecter. Embora ele seja o prisioneiro, ele sabe que detém o poder por ter as informações que Clarice quer. Ele também é mais velho e mais sábio, enquanto Clarice é uma aprendiz. Lecter quer entrar na alma de Clarice e se alimentar das experiências traumáticas da infância dela. Por sua vez, Clarice quer pegar Buffalo Bill. Ela suspeita que, na cena anterior, Lecter tenha dado pistas falsas, pois a promessa de Clarice, - de uma cela especial em uma ilha com vista para o mar -, se mostrou falsa.

O conflito de ambos os personagens é claro. As apostas são altas para Clarice. A cena tem um começo, meio e fim, com dois pontos de virada. A cena tem um arco dramático que começa no negativo para Lecter – ele ainda é um prisioneiro, sem nenhuma recompensa por sua ajuda, e ansioso pelos segredos emocionais de Clarice. E termina no positivo - Clarice revela o evento traumático de sua infância, o que faz com que Lecter revele informações que ajudam Clarice salvar Catherine de Buffalo Bill. Esta é uma cena de perseguição e captura para Lecter. Aqui estão as batidas individuais que compõem a cena:

Dentro da cela, o Dr. Lecter senta-se em uma mesa, lê, de costas para Clarice.

LECTER
 (sem se virar):
Boa noite, Clarice.

Batida # 1 - Clarice pede desculpas e tenta mostrar seu lado bom. Ela devolve os desenhos apreendidos de Lecter, coloca-os próximo das grades da cela

CLARICE
Achei que gostaria de ter seus desenhos de volta, doutor. Só até conseguir sua vista para o mar.

LECTER
Muito atenciosa... Ou Jack Crawford a mandou fazer uma última tentativa... antes que vocês dois sejam chutados do caso?

CLARICE:
Não, eu vim porque quis.

Lecter se vira e a encara (Nota do tradutor)

LECTER
As pessoas vão dizer que estamos tendo um caso.

Batida # 2 - Lecter a repreende pela mentira tola sobre a vista.

LECTER
(Estala com a lingua diversas vezes)
llha Anthrax... Foi um toque muito especial, Clarice. Ideia sua?

CLARICE
Foi.

LECTER
Yeahh. Essa foi boa. Mas lamento pela coitada da Catherine. Tic-tac, tic-tac...

Batida # 3 - Clarice mostra astúcia, que pode descobrir as pistas falsas de Lecter.

CLARICE
Seus anagramas estão se denunciando, doutor. Louis Terrefedo? Sulfeto de ferro. Também conhecido como ''ouro de tolo''.

LECTER
Oh, Clarice, seu problema é que precisa se divertir mais.


Batida # 4 - Clarice quer mais pistas sobre Buffalo Bill. Lecter responde indiretamente, provocando-a.

CLARICE
Você estava me dizendo a verdade lá em Baltimore. Por favor, continue.

LECTER
Bem, eu li as pastas do caso. Você leu? Tudo que precisa descobrir está naquelas páginas.

Batida #5 – Clarice está impaciente e desesperada, o tempo está se esgotando.

CLARICE
Então, diga-me como.

LECTER
Os princípios básicos, Clarice. Simplicidade. Leia Marco Aurélio. De cada coisa em particular, pergunte: O que é isto em si? Qual é a sua natureza? O que ele faz? O que ele procura?

CLARICE
Ele mata mulheres.

LECTER
(repreende Clarice com firmeza)
NÃO, isso é incidental. Qual o princípio do que ele faz? A que necessidade atende matando?

CLARICE
Raiva... aceitação social... frustração sexual...

LECTER
NÃO! Ele cobiça. Essa é a natureza dele. E como começamos a cobiçar, Clarice? Buscamos coisas a que cobiçar? Faça um esforço para responder logo.

CLARICE
Não, nós só...

LECTER
NÃO, começamos a cobiçar o que vemos todos os dias. Não sente os olhos que percorrem seu corpo, Clarice? Seus olhos não procuram as coisas que deseja?

CLARICE
Tudo bem, sim. Agora, por favor, diga-me como.

Batida #6 – Lecter vira o jogo a seu favor, quer saber mais sobre o passado de Clarice, é o primeiro ponto de virada da cena.

LECTER
Não. É sua vez de falar, Clarice. Não tem mais férias a vender. Por que saiu da fazenda?

CLARICE
Doutor, não temos mais tempo para isso agora.      

Batida #7 – Lecter insiste, Clarice se desespera.

LECTER
O tempo não corre da mesma maneira para nós dois, não é? Este é todo o tempo de que dispõe.

CLARICE
Mais tarde. Por favor, escute. Só temos cinco...

Batida #8 – Lecter insiste novamente. Clarice finalmente se rende.

LECTER
NÃO! Vou ouvir agora. O assassinato de seu pai a deixou órfã aos 10 anos. Foi morar com primos numa fazenda de carneiros e cavalos em Montana. E... ?

CLARICE
Numa manhã, eu simplesmente fugi.

LECTER
Não ''simplesmente'', Clarice. O que a fez fugir? Começou a que horas?

CLARICE
Cedo, ainda escuro.

LECTER
Aí, algo a despertou. Foi um sonho? O que foi?

CLARICE
Ouvi um ruído estranho.

LECTER
O que foi?

CLARICE
Foram... gritos. Uma espécie de grito, como a voz de uma criança.

LECTER
O que você fez?

CLARICE
Eu fui... lá para baixo. Para fora. Me esgueirei até o celeiro. Estava com medo de olhar lá dentro, mas tinha de olhar.

LECTER
E o que você viu, Clarice? O que você viu?

CLARICE
Cordeiros. Eles gritavam.

LECTER
Estavam abatendo os cordeiros na primavera?

CLARICE
E eles gritavam.

LECTER
E você fugiu?

CLARICE
Não. Primeiro, tentei libertá-los. Abri a porteira do celeiro.  Eles ficaram parados, confusos. Não conseguiam fugir.

LECTER
Mas você podia fugir e fugiu, não?

CLARICE
Sim, peguei um cordeiro e corri o máximo que pude.

LECTER
Para onde estava indo, Clarice?

CLARICE
Não sei. Não tinha comida ou água... e estava muito frio. Estava frio demais.  Eu pensei... Pensei que se pudesse salvar um só... mas ele era tão pesado. Ele era tão pesado. Tinha corrido poucos quilômetros quando o carro do xerife me pegou. O fazendeiro ficou tão zangado que me mandou para um orfanato. Nunca mais vi a fazenda.

LECTER
O que houve com seu cordeiro, Clarice?

CLARICE
Eles o mataram.

Batida #9 – Lecter relaxa, ele compreende o passado de Clarice.

LECTER
Ainda acorda no meio da noite, não é? Acorda no escuro... e ouve os gritos dos cordeiros?

CLARICE
Sim.

LECTER
E pensa que, se salvar a coitada da Catherine... poderá fazê-los parar, não é? Acha que, se Catherine escapar... nunca mais vai acordar no escuro... com os horríveis gritos dos cordeiros.

CLARICE
Não sei. Eu não sei.

LECTER
Obrigado, Clarice. Obrigado.

Batida #10 – Clarice desesperada espera o que Lecter prometeu. Mas eles são interrompidos pelo Dr. Chilton – o segundo ponto de virada da cena.

CLARICE
Diga-me o nome dele, doutor.

Eles ouvem a porta se abrindo.

LECTER
Dr. Chilton, suponho. Acho que se conhecem.

Dr. Chilton aparece com Sgr. Pembry and Boyle ao seu lado.

Dr. Chilton
Nós a encontramos. Vamos.

Batida #11 – Clarice insiste.

CLARICE
É sua vez, doutor.

Dr. CHILTON
Fora!

CLARICE
Diga-me o nome dele.

SGT. BOYLE
Desculpe, moça, tenho ordens de colocá-la num avião.

LECTER
Corajosa Clarice. Me avisará quando os cordeiros pararem de gritar, não é?

CLARICE
Diga-me o nome, doutor!

Batida #12 – Lecter agradece Clarice por tê-lo deixado ver sua alma, e diz adeus de maneira apropriada, no clímax da cena.

LECTER
Clarice! Sua pasta.

Clarice se desvencilha dos policiais e corre para a cela de Lecter. Quando ela chega às grades para pegar o arquivo da mão estendida de Lecter, seus dedos se tocam.

LECTER
Adeus, Clarice.


Clarice abraça a pasta ao peito, olha para Lecter enquanto os homens a afastam dali.

O que faz desta cena tão fascinante é, naturalmente, a relação improvável entre os dois personagens. Alguns elementos sugerem uma história de amor, e esta cena pode ser vista como uma cena de amor entre os dois desenvolvida na revelação íntima de Clarice sobre os cordeiros gritando, e um toque físico final, quando por um momento, seus dedos se tocam (um momento chocante) – claramente, há muito subtexto nessa cena. Mas há outras técnicas que adicionam impacto emocional ao invés de transformá-la em uma cena expositiva. Nas mãos de um escritor amador, esta cena poderia ter ficado maçante. Em vez disso, Thomas Harris no romance, e Ted Tally na adaptação, utilizaram diversas técnicas, dentre as quais, estas:

Paleta Emocional: Motivações dos personagens; o desespero de Clarice pela ajuda de Lecter. Desespero que aumenta com o desenvolver da cena, e ela se rende ao jogo de Lecter, o que a ajuda a purgar seus próprios demônios. Para Lecter, suas ações são motivadas pela frustração inicial ao ter sido enganado, porém, ele realmente gostaria de ajudar Clarice e desafiá-la, como um bom mentor deve fazer, e, finalmente a sua intensa curiosidade sobre o passado de Clarice. Os escritores também se preocuparam com a resposta emocional ao leitor e tiveram cuidado com o conflito na cena – Clarice precisa desesperadamente de pistas para pegar Buffalo Bill e provar seus valor, por sua vez, Lecter não quer compartilhar estas pistas depois de ter sido enganado com a falsa o promessa de uma cela com uma vista para uma paisagem.

Por si só, estes elementos já seriam suficientes para se escrever uma cena interessante. Mas há mais. Há a dúvida se Lecter revelara alguma pista que ajude Clarice, e o interesse pessoal de Lecter no passado de Clarice, que ele irá utilizar como “pagamento” pela pista. O passado de Clarice se revela aos poucos através de um interrogatório com diálogo ativo, perguntas e respostas que constroem uma vitrine emocional do conflito interior de Clarice. Há também uma inversão do clichê dos filmes policiais, uma vez que é o prisioneiro que acaba interrogando o agente do FBI.

O Contraste é evidente em toda a cena, podemos notar diversas oposições: (Clarice livre, Lecter preso), entre os personagens (bem contra o mal), entre os comportamentos individuais (natureza violenta de Lecter e depois a suave carícia no dedo de Clarice), e entre as batidas da cena (desde o desespero de Clarice e a sua lenta e longa revelação). A revelação de Clarice sobre os cordeiros gritando é uma surpresa, tanto para Lecter como para o espectador. É também uma revelação de caráter que ilumina as motivações de Clarice e que fizeram com que ela se tornasse uma agente do FBI e proteger aqueles que são vulneráveis. Além disso, esta informação serve como um “resolução” emocional estabelecida entre Clarice e Lecter no encontro anterior, quando ela começou a compartilhar seu passado através do acordo  Quid Pro Quo.

Os desenhos de Lecter, que Clarice devolve depois do Dr. Chilton tê-los confiscado, podem ser visto como um elemento a dar bastante significado à cena. Eles podem ser vistos como uma demonstração de amizade, um símbolo da compaixão de Clarice para Lecter, ou um suborno para fazer com que ele fique mais disposto a ajudar.

Há um equilíbrio muito bem delineado entre satisfação e frustração nas batidas da cena. Olhe para cada uma das batidas e observe como Clarice consegue o que quer de Lecter – mas não como ela esperava – Lecter desafia-a até entregar a resposta de que o assassino cobiça. Inicialmente, Lecter também se frustra quando Clarice se recusa a revelar o seu segredo, mas ele insiste e se satisfaz com a rendição de Clarice. Em poucas batidas e viradas de cena, Lecter vai desde exigir que Clarice revele seu segredo sobre os cordeiros até o ponto em que decide ajudá-la. Porém, o Dr. Chilton interrompe a ligação entre tutor e aluno no momento exato em que Clarice receberia sua resposta.

Por fim, o modo como Clarice e Lecter são separados é tenso – O Dr. Chilton e dois policiais escoltam Clarice com truculência para fora, mas não sem antes ela reagir e voltar até Lecter e recuperar seus arquivos. A interrupção do Dr. Chilton é também uma justaposição de dois conflitos simultâneos – Chilton Vs. Clarice e Chilton Vs. Lecter.

E é assim que se cria uma cena fascinante.

A partir de agora, você tem algumas técnicas para elevar sua escrita a um nível profissional. Você já leu sobre elas e viu algumas funcionando em uma cena clássica. Agora é hora de colocar seus conhecimentos para melhorar seus roteiros."


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Este trecho é parte do capítulo, Scenes: Mesmerizing Moments, do livro "Writing for Emotional Impact", de Karl Iglesias.
E pode ser encontrado AQUI.







quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Andriêi Tarkóvski - Nostalghia - 1983

Dirigido por Andriêi Tarkóvsi e escrito junto com Tonino Guerra. Grande filme e uma cena excepcional. Avisa aos desavisados. Contém spoiler, se você não viu ao filme... eu não me responsabilizo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Amor à Queima Roupa (True Romance) -1993

Segue a cena e o trecho do roteiro para a apreciação de todos.


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                            COCCOTTI
              Do you know who I am, Mr. Worley?


                            CLIFF
              I give up. Who are you?


59.


                            COCCOTTI
              I'm the Anti-Christ. You get me
              in a vendetta kind of mood, you
              will tell the angels in Heaven
              that you had never seen pure evil
              so singularly personified as you
              did in the face of the man who
              killed you. My name is Vincenzo
              Coccotti. I work as council for
              Mr. Blue Lou Boyle, the man who
              your son stole from. I hear you
              were once a cop so I can assume
              you've heard of us before. Am
              I correct?


                           CLIFF
              I've heard of 'Blue Lou Boyle.'


                           COCCOTTI
              I'm glad. Hopefully that will
              clear up the how-full-of-shit-I-am
              question you've been asking yourself.
              Now, we're gonna have a little Q and A,
              and at the risk of sounding redundant,
              please make your answers genuine.
                 (taking out a pack
                  of Chesterfields)
              Want a Chesterfield?


                           CLIFF
              No.


                           COCCOTTI
                 (as he lights one up)
              I have a son of my own. About your
              boy's age. I can imagine how
              painful this must be for you. But
              Clarence and that bitch whore girl
              friend of his brought this all on
              themselves. And I implore you not
              to go down the road with 'em. You
              can always take comfort in the
              fact that you never had a choice.


                           CLIFF
              Look, I'd help ya if I could, but
              I haven't seen Clarence --


Before Cliff can finish his sentence, Coccotti                                    
slams him hard in the nose with his fist.


                           COCCOTTI
              Smarts, don't it? Gettin' slammed
              in the nose fucks you all up.
              You got that pain shootin' through
              your brain. Your eyes fill up
              with water. It ain't any kind of fun.


(MORE)


60.
                           COCCOTTI (CONT'D)
              But what I have to offer you,
              that's as good as it's ever gonna
              get, and it won't ever get that
              good again. We talked to your
              neighbors, they saw a Mustang,
              a red Mustang, parked in front of
              your trailer yesterday. Mr. Worley,
              have you seen your son?


Cliff's defeated.


                           CLIFF
              I've seen him.


                           COCCOTTI
              Now I can't be sure of how much
              of what he told you. So in the
              chance you're in the dark about
              some of this, let me shed some
              light. That whore your boy hangs
              around with, her pimp is an
              associate of mine, and I don't
              just mean pimpin', in other
              affairs he works for me in a
              courier capacity. Well, apparently,
              that dirty little whore found out
              when we were gonna do some
              business, 'cause your son, the
              cowboy and his flame, came in the
              room blastin' and didn't stop
              'til they were pretty sure
              everybody was dead.


                           CLIFF
              What are you talkin' about?


                           COCCOTTI
              I'm talkin' about a massacre.
              They snatched my narcotics and
              high-tailed it outta there. Wouldda
              gotten away with it, but your son,
              fuckhead that he is, left his driver's
              license in a dead guy's hand. A
              whore hiding in the commode filled
              in all the blanks.


                           CLIFF
              I don't believe you.


                           COCCOTTI
              That's of minor importance. But
              what's of major fucking importance
              is that I believe you. Where did
              they go?


                           CLIFF
              On their honeymoon.


61.


                           COCCOTTI
              I'm gettin' angry askin' the same
              question a second time. Where did
              they go?


                           CLIFF
              They didn't tell me.


Coccotti looks at him.,


                           CLIFF
              Now, wait a minute and listen. I
              haven't seen Clarence in three
              years, yesterday he shows up here
              with a girl, sayin' he got married.
              He told me he needed some quick
              cash for a honeymoon, so he
              asked if he could borrow five
              hundred dollars. I wanted to
              help him out so I wrote out a
              check. We went to breakfast
              and that's the last I saw of him.
              So help me God. They never thought
              to tell me where they were goin'.
              And I never thought to ask.


Coccotti looks at him for a long moment. He then gives
Virgil a look. Virgil, quick as greased lightning, grabs
Cliff's hands and turns it palm up. He then whips out a
butterfly knife and slices Cliff's palm open and pours
Chivas Regal on the wound. Cliff screams.


Coccotti puffs on a Chesterfield.


Tooth-pick Vic returns to the trailer, and reports in
Italian that there's nothing in the car.


Virgil walks into the kitchen and gets a dishtowel. Cliff
holds his bleeding palm in agony. Virgil hands him the
dishtowel. Cliff uses it to wrap up his hand.


                            COCCOTTI
              Sicilians are great liars. The
              best in the world. I'm a
              Sicilian. And my old man was
              the world heavyweight champion of
              Sicilian liars. And from growin'
              up with him I learned the pantomime.
              Now there are seventeen different
              things a guy can do when he lies to
              give him away. A guy has seventeen
              pantomimes. A woman's got twenty,
              but a guy's got seventeen. And if
              ya know 'em like ya know your
              own face, they beat lie detectors
              all to hell. What we got here is
              a little game of show and tell.


(MORE)


62.


                          COCCOTTI (CONT'D)
              You don't wanna show me nothin'.
              But you're tellin' me everything.
              Now I know you know where they
              are. So tell me, before I do
              some damage you won't walk away
              from.


The awful pain in Cliff's hand is being replaced by the
awful pain in his heart. He looks deep into Coccotti's
eyes.


                          CLIFF
              Could I have one of those
              Chesterfields now?


                          COCCOTTI
              Sure.
Coccotti leans over and hands him a smoke.


                          CLIFF
              Gotta match?


Cliff reaches into his pocket and pulls out a lighter.


                          CLIFF
              Oh, don't bother. I got one.
                  (he lights the
                    cigarette)
              So you're a Sicilian, huh?


                          COCCOTTI
                  (intensely)
              Uh-huh.


                          CLIFF
              You know I read a lot. Especially
              things that have to do with history.
              I find that shit fascinating. In
              fact, I don't know if you know
              this or not, Sicilian's were spawned
              by niggers.


All the men stop what they are doing and look at Cliff,
except for Tooth-pick Vic who doesn't speak English and
so, isn't insulted.


Coccotti can't believe what he's hearing.


                           COCCOTTI
              Come again?


                           CLIFF
              It's a fact. Sicilians have
              nigger blood pumping through their
              hearts.


(MORE)


63.
                           CLIFF (CONT'D)
              If you don't believe me look it
              up. You see, hundreds and
              hundreds of years ago the Moors
              conquered Sicily. And Moors are
              niggers. Way back then, Sicilians
              were like the Wops in northern
              Italy. Blond hair, blue eyes.
              But, once the Moors moved in there,
              they changed the whole country.
              They did so much fuckin' with
              the Sicilian women, they changed
              the bloodline forever, from blond
              hair and blue eyes to black hair
              and dark skin. I find it
              absolutely amazing to think that
              to this day hundreds of years
              later, Sicilians still carry that
              nigger gene. I'm just quotin'
              history. It's a fact. It's
              written. Your ancestors were
              niggers. Your great, great, great,
              great grandmother was fucked by
              a nigger, and had a half nigger
              kid. That is a fact. Now tell
              me, am I lyin'?


Coccotti looks at him for a moment then jumps up, whips
out an AUTOMATIC, grabs hold of Cliff's hair, puts the
barrel to his temple, and PUMPS three bullets through
Cliff's head.


He pushes the body violently aside.
Coccotti pauses. Unable to express his feelings and
frustrated by the blood on his hands, he simply drops his
weapon and turns to his men.


                           COCCOTTI
              I haven't killed anybody since
              1974. Goddamn his soul to burn
              for eternity in fucking hell for
              making me spill blood on my hands!
              Go to this comedian's son's
              apartment and come back with
              something that tells me where that
              asshole went so I can wipe this
              egg off of my face and fix this
              fucked up family for good.
              
Tooth-pick Vic taps Frankie's shoulder and, in Italian, asks
him "what was that all about?"


Lenny, who has been going through Cliff's refrigerator has
found a beer.


64.


When he closes the refrigerator door he finds a note
being held on be a ceramic banana fruit magnet that says:
"Clarence in LA: Dick Ritchie (Number and address).


                           LENNY
              Boss, get ready to get happy.


TITLE CARD: "CLARENCE AND ALABAMA HIT L.A."