quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Escritos e Ditos

 
"Stories are the oxygen of civilization and the elixir of sanity and wisdom"

"As histórias são o oxigênio da civilização e o elixir da sanidade e da sabedoria"

Michael Rabiger
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A onda agora é o Lip Dub

O Lip Dub é um novo gênero de vídeo que está bombando na net. Os vídeos têm uma música tema que é acompanhada com movimentos coreografados e simulação de canto sincronizados. São vídeos feitos com, e por, alunos de várias universidades e escolas no mundo inteiro em um único plano sequência. Basicamente é isto, é claro que alguns estudiosos conseguiram fazer uma análise bem mais complexa do novo gênero, para quem se interessar, vejam o texto no blog do David Bordwell aqui(em inglês).


Aqui estão dois dos que eu achei mais legais. Um da Universidade do Québec e outro da Shorewood High School.

Lip Dub Universidade do Québec


Lip Dub Shorewood High School

Agora fica a pergunta, qual serão os primeiros a realizar um Lip Dub brasileiro? Seja lá qual for, me convidem, tô dentro!

A propósito, no wikipédia tem mais informações a respeito.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

In the Loop (2009)



Michael Rodgers 
'PWIP-PIP'? Quem escreveu isto,
Charles Dickens? 

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Linton Barwick
'PWIP-PIP'? What is that,
a report on bird-song? 



Direção: Armando Iannucci
Cast: Macolm Tucker (Peter Capaldi), Simon Foster (Tom Hollander), Judy Molloy  (Gina McKee)

Mais um dos concorrentes ao oscar de roteiro adaptado. Uma excelente comédia política enfocando alguns figurões de alto escalão do pentágono e do governo inglês em um delicado processo de formação de alianças para uma guerra ao mesmo tempo "imprevisível" e 'previsível". Destaque aos diálogos e ao excelente personagem de Peter "Fucking" Capaldi.




A Arca Russa (2002)

 
 
NARRADOR
Que tipo de peça é esta?
         Espero que não seja uma tragédia.


Cast: O Estranho - Marquês de Custine - (Sergei Dontsov), katarina, A Grande (Mariya Kuznetsova), Narrador (V.O)(Aleksandr Sokurov).


A maior bobagem dita sobre este filme é que se trata de um filme sem montagem, sem corte e edição sim, mas sem montagem, ai não dá. O cara fez a síntese entre o Tarkóvski e o Eisenstein. Bem de qualquer maneira adoraria ver seu roteiro.
Aproveite e veja o trailer de um filme sem cortes.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Filmes recentes de Hollywood seguem molde matemático, diz cientista

EWEN CALLAWAY 
da New Scientist
 
A Era de Ouro em Hollywood pode ter acabado na década de 1950, mas foi apenas recentemente que a cidade dos sonhos demonstra ter um método matemático para capitalizar a medida de nossa inconstante atenção.

"Produtores de filmes têm evoluído, de forma cada vez melhor, na extensão de cenas e sequências, que arrebatem a nossa atenção", diz James Cutting, psicólogo da Universidade Cornell, em Ítaca, Nova York. 

Ele analisou 150 filmes de Hollywood e descobriu que os mais recentes eram mais voltados a períodos determinados das cenas, e tinham a tendência de seguir um modelo matemático que também descreve a medida extensão da atenção humana.




Fórmula
 
Nos anos 1990, um grupo da Universidade do Texas mediu a extensão da atenção de voluntários, a partir de como eles se portavam diante de centenas de testes consecutivos
Quando eles cruzaram essas medições com uma série de ondas usando um truque matemático chamado Transformações de Fourier, as ondas aumentavam em magnitude, à medida que as frequências caíam. 

Esta propriedade é conhecida como flutuação 1/f, ou "barulho rosa", e neste caso significava que o poder de atenção diante de um teste com uma extensão particular foram recorrentes em intervalos regulares. 

O pioneiro da teoria do caos, Benoit Mandelbrot, encontrou níveis anuais de enchentes do rio Nilo que seguiam esse padrão; outros observaram-no na música e em turbulências na atmosfera.

Para encontrar se a extensão de uma cena cinematográfica poderia seguir a 1/f também, Cutting mediu a duração de cada sequência em 150 sucessos de Hollywood, de vários gêneros, lançados entre 1935 e 2005. Ele, então, dispôs esses dados em uma série de ondas para cada filme. 

Cutting descobriu que os filmes mais recentes eram mais propensos a obedecer a lei 1/f do que seus antecessores. 

Mas ele afirma que não são apenas filmes de ação com sequências rápidas, como "Duro de Matar 2", que seguem a 1/f. Ao contrário, o importante é que haja sequências de tamanhos semelhantes, que se repitam em um padrão regular dentro do filme. 

O cientista sugere que a obediência à 1/f pode fazer dos filmes mais atrativos porque eles repercutem com o ritmo de extensão da atenção humana --mas ele duvida que diretores estão usando a matemática, deliberadamente, para fazer filmes. 

Em vez disso, ele acha que filmes que sejam editados dessa forma provavelmente sejam mais bem-sucedidos, algo que, por sua vez, incentivaria outros a seguir este estilo. Isso explicaria por que um grande número de filmes recentes tendem a seguir a 1/f. 

No entanto, ele descreve como "simplesmente terrível" o filme "Star Wars 3", cujo enredo segue rigidamente a 1/f. Cutting afirma que uma boa narrativa e forte atuação são provavelmente mais importantes do que a fórmula matemática.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u695704.shtml

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tela Brasil - Oficinas Virtuais

Eu não poderia deixar de comentar uma novidade na internet. É a oficina de roteiro virtual no Tela Brasil. Bem bacana mesmo, até eu fiz um argumento 'virtual' rápido por lá, vale a pena darem uma olhada e exercitarem a imaginação. É bem rápido e fácil de usar.

Tem oficina de roteiro, de direção, de fotografia, de produção, direção de arte, de som e trilha sonora.
Agora, quem quer dar os passos iniciais na carreira de cineasta não pode mais ficar reclamando que não tem oportunidade. Clique aqui e mão na massa!

Juno (2007)

 

VANESSA LORING  (To Mark)
Grow up. If I have to wait for you to 
become Kurt Cobain, I'm never 
gonna be a mother.



Direção -  Jason Reitman

Roteiro - Diablo Cody

Cast -  Juno ( Ellen Page ), Paulie Bleeker ( Michael Cera ) Vanessa Loring ( Jennifer Garner ), Mark Loring ( Jason Bateman )

Eu não tinha visto este filme ainda, não foi descuido ou descaso, eu simplesmente estava assistindo muitos filmes clássicos, da Época de Ouro de Hollywwod, década de trinta a cinquenta. Queria muito ver Juno, mas nunca tive uma oportunidade. Então, logo depois de ver Up in the Air, encontrei um amigo como DVD de Juno embaixo do braço, é claro que ele foi bastante solidário e me emprestou.

Filme bacana, muito bonito e bem escrito. Acho que duas coisas merecem destaque, uma cena, e um nome.

A cena, é a da amiga japonesa, Su - Chin (Valerie Tian) que encontra Juno na porta de uma clínica de aborto da Women Now. Su - Chin faz uma manifestação, uma manifestação solitária contra o aborto. As duas se falam e Juno se constrange, cria coragem para entrar na clínica e Su-Chin lhe diz que seu bebê já tem unhas. 

Se fosse um roteirista menos talentoso ele colocaria um monte de pessoas, etc. Mas não, uma única garota solitária fazendo um protesto, não tem como não se simpatizar com a garota.  A simpatia com Su-Chin irá aumentar logo na sequência, quando a balconista da clínica atender Juno. Porém, infelizmente, a balconista e a clínica não são construídas com a mesma sutileza. Depois de ser atendida pela recepcionista, o que acabou de ser dito por Su-Chin lá fora ganha potência quando Juno, ao sentar-se na sala de espera, vê pessoas roendo unhas, pintando unhas, cortando unhas. afinal ela está numa situação tensa. Assim, automaticamente ela pensa no feto, ele está para ser abortado, ela pensa (ou achamos que ela pensa) "Será que ele, como tem unhas, estaria roendo suas pequeninas unhas?" juno automaticamente deixa a clínica.

Outro elemento, (inclusive eu havia pensado nisto para um personagem meu, e agora descarto de vez a idéia), é o nome McGuff. Ao ver o sobrenome de Juno, não pude deixar de associá-lo ao MacGuffin. 

McGuffin foi um termo usado por Hitchcock para definir um elemento da trama que aparentemente é o mais importante, por exemplo, o falcão em "O Falcão Maltês" de John Huston (baseado no livro de Dashiell Hammett). Porém, o artefato tão procurado pelos personagens é apenas algo que guia a história, dá um sentido, uma direção. O que realmente importa é aquilo que os personagens conquistam em sua busca, o seu aprendizado, a superação de seus defeitos ou que os levam a encontrarem o amor.

Vejamos nas palavras do próprio Hitchcock em sua clássica entrevista a François Truffaut:

"É um nome escocês, tirado de uma história sobre dois homens em um trem. Um homem diz: "Qual é o pacote lá em cima no suporte de bagagens?" E o outro responde: "Oh, isso é um McGuffin". Logo o outro pergunta: "O que é um McGuffin?" "Bem", o outro homem diz: "É um aparelho para capturar leões nas montanhas escocesas. O primeiro homem diz: "Mas não há leões nas maontanhas escocesas," uma outra  resposta: "Bem, então isso não é McGuffin!" Então você vê, um McGuffin é nada."

Mas vejam bem, embora o MacGuffin seja algo que não existe é ele que estabelece a conversa entre os dois homens. Surge com um elemento de ligação, uma espécie de função fática.

No caso do roteiro de Juno, tenho a impressão de que Diablo Cody humanizou seu MacGuffin. 

Se eu dissesse que a história de Juno McGuff é secundária diria uma grande besteira, na verdade, a gravidez é o desencadeador da história e nos leva a história de Mark e Vanessa. O filho de Juno é um MacGuffinzinho. Algo casual  como uma gravidez indesejada, mas que ganha muito mais importância a partir do momento que percebemos que o problema  é a incapacidade de lidarmos com o seu verdadeiro significado. O MacGuffin não é algo banal, nem ao menos problemático. A incapacidade de 'trabalhar' o MacGuffin, de cuidar do MacGuffin, seja ele aspectos da dramaturgia, ou seja uma criança, sim. Este é o verdadeiro desafio.